Princípios
Compramos empresas para as manter, e quase tudo o resto decorre daí: como tratamos quem nelas trabalha, como medimos o sucesso e quanto tempo tencionamos ficar.
I · Horizonte longo
Decidimos a pensar nos próximos vinte anos.
Não há data em que sejamos obrigados a vender, e por isso o calendário não entra nas nossas contas. O telhado do armazém arranja-se antes de meter água. As carrinhas substituem-se antes de darem problemas às equipas na estrada. Um jovem contrata-se e forma-se ao lado de um técnico experiente durante os anos que essa aprendizagem demora, e não durante os meses que o orçamento do ano aguenta. E há um segundo responsável capaz de assegurar a operação no dia em que quem sempre decidiu não estiver.
Há anos em que os nossos números ficam piores do que ficariam se decidíssemos a doze meses. São anos que aceitamos, porque a obrigação que temos, e que não passa para outro dono qualquer daqui a uns anos, é entregar cada empresa a quem vier a seguir em melhor estado do que a recebemos.
II · As pessoas antes do negócio
Atrás de cada empresa está gente cujo sustento depende do que decidirmos.
Cada decisão que tomamos sobre uma empresa chega, mais cedo ou mais tarde, a alguém com uma renda para pagar. Isso não torna as decisões difíceis evitáveis, mas obriga-nos a tomá-las devagar, a explicá-las primeiro a quem é afetado e só depois a toda a gente, e a não dizer «sinergia» quando queremos dizer despedimento. Não fechamos um negócio à custa de tratar alguém com ligeireza.
III · Alinhamento
Só pedimos a outros o risco que corremos ao lado deles.
Nenhum de nós pede a outra pessoa um risco que não esteja a correr ao mesmo tempo. Vale dentro do grupo: não pedimos a um gerente uma decisão difícil cuja consequência não nos chegue também. É também por isso que não prometemos a ninguém um resultado que não dependa de nós.
IV · Proximidade do cliente
O cliente é de quem o conhece.
A relação com cada cliente fica com quem a construiu, mesmo quando a orçamentação ou o planeamento passam a ser partilhados numa região. Quem vai a uma avaria tem de saber qual é a caldeira, onde fica o quadro e o que aconteceu da última vez, e o que se partilhar tem de ajudar a isso, e não substituí-lo. Custa-nos parte do que se pouparia a centralizar, e aceitamos esse custo.
V · Integridade sob pressão
Um princípio só conta no ano em que custa dinheiro.
Tudo o que está escrito nesta página é fácil de cumprir num bom ano. O teste é o ano em que cumprir nos custa um negócio, um cliente ou um número que prometemos, e é por esse ano que devemos ser julgados.