Comprar para manter
I · agosto de 2026
A pergunta que mais nos fazem, por proprietários e por quem olha para isto de fora, é sempre a mesma: se compram boas empresas, porque é que nunca as vendem? A razão é prática: vender sai caro, de maneiras que raramente entram nas contas.
Uma empresa que está a ser preparada para a venda muda de comportamento. O investimento que se paga em cinco anos fica adiado, porque o comprador não o valoriza. As pessoas que podiam ser promovidas ficam onde estão, porque o organigrama é mais fácil de explicar sem mexidas. Toda a gente sente, e os melhores começam a atender telefonemas. Nada disto aparece nas contas, mas tudo isto custa.
Não vender elimina o prazo e, com ele, quase todas estas distorções. Um telhado, uma carrinha, um aprendiz ou uma segunda delegação que leva três anos a pagar-se passam a ser decisões correntes, e deixam de ser discussões. Ao longo dos anos, é a soma destas decisões que faz a diferença.
A permanência tem um custo, e preferimos dizer qual. Raramente ganhamos um processo competitivo pelo preço, porque o preço mais alto é normalmente pago por quem tem o horizonte mais curto. Temos de acertar à primeira, porque não há saída que corrija um erro. E somos mais lentos: preferimos perder seis meses a comprar uma empresa que não quiséssemos ter daqui a vinte anos.
Para o proprietário, isto quer dizer que as pessoas ficam. Quem passou trinta anos a construir uma empresa pode dar um passo atrás sem a ver desmontada para gerar um retorno, e pode continuar a entrar no estaleiro depois disso.
Escreveremos estas cartas quando houver alguma coisa que valha a pena dizer, sem calendário fixo.
Pedro Teixeira Duarte, Presidente · Manuel Oliveira, CEO
As restantes cartas estão aqui. Se é proprietário e está a pensar no que vem a seguir, veja como funciona uma venda.