Princípios
Compramos empresas para as manter. Esse facto, por si só, determina quase tudo o resto — a forma como tratamos quem nelas trabalha, como medimos o sucesso e quanto tempo tencionamos ficar. O que se segue não é uma estratégia. É um conjunto de exigências que fazemos a nós próprios, nos bons anos e nos maus.
I · Continuidade
Quase tudo o que adquirimos permanece como o encontrámos: a equipa, a localização, o nome à porta. Uma empresa que conquistou os seus clientes ao longo de décadas não precisa de ser reinventada. O nosso primeiro instinto é mudar o menos possível — e explicarmo-nos antes de mudar seja o que for.
II · Autonomia
Quem construiu uma empresa é, em regra, quem está em melhor posição para a dirigir. Não colocamos gestores nossos, nem dirigimos as empresas a partir de Lisboa. Acordamos um rumo claro e o que significa fazer bem, e deixamos os operadores trabalhar.
III · Um horizonte longo
Não temos um fundo para liquidar nem uma data em que sejamos obrigados a vender. Isso liberta-nos para decidir com anos de distância, e não trimestres — um telhado, uma carrinha, um aprendiz — quando o retorno é paciente mas certo. Medimo-nos em décadas.
IV · Contas honestas
Dizemos aos nossos investidores e aos nossos operadores a verdade simples, em números simples. As boas notícias viajam sozinhas; são as más que garantimos que nos chegam cedo. Uma empresa é mais fácil de cuidar quando ninguém receia comunicar um problema.
V · As pessoas antes do negócio
Por trás de cada empresa que analisamos está um proprietário a decidir o destino do trabalho de uma vida, e pessoas cujo sustento depende dessa decisão. Tentamos nunca o esquecer. Preferimos perder um negócio a ganhá-lo tratando qualquer dos dois com ligeireza.